h. | 17/10/2017

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Estudo aponta gargalos do Programa ABC
19/06/2017
 
Criado como uma alternativa de crdito para a implementao de uma forma sustentvel de produo no pas, o Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC) chega ao stimo ano sem o sucesso esperado. Muitas razes j foram levantadas para explicar a baixa adeso, mas um novo estudo, encomendado pela FGV, joga luz sobre um novo aspecto: os riscos embutidos nas reas determinadas como prioritrias pelo governo federal para a aplicao desse dinheiro.

Segundo Alexandre Mendona de Barros, diretorscio da MB Agro e autor do estudo, a baixa atratividade dos recursos est menos relacionada falta de interesse do produtor e mais a questes econmicas. So risco climtico, falta de infraestrutura logstica e dificuldade de acesso a mercado que inviabilizam a tomada do crdito tanto ou mais que a falta de informao do produtor, de assistncia rural e o despreparado dos prprios bancos aptos ao repasse.

O programa ficou desconectado da realidade, diz o economista. A retirada de recursos baixa justamente nas reas prioritrias, que so as pastagens degradadas com pequena lotao animal [nmero de bois por hectare]. Do ponto de vista agronmico, pode at fazer sentido, mas do econmico, no.

O programa a principal linha de crdito ao produtor do Plano ABC, que prev a expanso agrcola atravs do financiamento de tcnicas produtivas de baixa emisso de carbono, como o plantio direto e o consrcio de lavouraflorestapecuria. Mas a recuperao de pastagens degradadas a mais promissora das tcnicas, devido rea gigantesca que representa no pas (cerca de 30 milhes de hectares).

Desde o seu lanamento no Plano Safra 2010/11, no entanto, at agora foram contratados somente R$ 13,8 bilhes dos R$ 20,5 bilhes disponibilizados. Em nenhum desses ciclos, o montante oferecido foi totalmente captado o governo reservou R$ 2,13 bilhes para a safra 2017/18.

Segundo Mendona de Barros, a escolha dessas reas prioritria baseada na ocupao de pastagens no considera os riscos percebidos pelo produtor rural, e ignora outras limitaes de difcil superao.

O Norte e o Nordeste do pas no toa, os menos atendidos pelo crdito do ABC ilustram o problema. Com grandes
reas degradadas e baixa densidade animal (nmeros de bois por hectare), as propriedades dessas regies esto distantes de rotas logsticas. Portanto, tendem a continuar em desvantagem competitiva em relao a propriedades mais prximas de rodovias, indstrias e portos.

Uma propriedade com ampla rea de pasto degradado, mas longe de abatedouros quem possam comprar seus animais e de estradas que os transportem, no ter os benefcios da recuperao sustentados no longo prazo. A conta do produtor no fecha, acrescenta Angelo Gurgel, coordenador do Observatrio do Plano ABC, coordenado pelo Centro de Estudos de Agronegcios da Fundao Getlio Vargas (GVAgro) para monitorar o desempenho do programa.

Os problemas enfrentados na Bahia, no Piau, no Maranho e no Tocantins atestam que a combinao de risco climtico com m logstica pode gerar endividamento. H cinco anos, estas regies eram consideradas de alto potencial, e muitos enxergaram risco apenas moderado, o que no se mostrou verdadeiro em diversas reas nas ltimas quatro safras, diz o estudo.

H ainda outras limitaes menos mencionadas, mas que tornam complexas as possibilidades de intensificao tecnolgica nas reas degradadas. Em muitas regies, por exemplo, no h calcrio para recuperao de solos. Como um insumo essencial na recuperao da fertilidade do solo e um produto de baixo valor agregado, o custo logstico afeta a viabilidade econmica de sua utilizao.

De acordo com o estudo, o sucesso do Programa ABC estaria mais garantido se houvesse um programa de seguro subvencionado pelo Estado para reas percebidas de maior risco pelo produtor.

Fonte: Valor Econmico
 
 
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